Casas Bahia deve a 28 mil credores, que podem sofrer desconto de até 95%

Os fornecedores estão entre os que mais sofrem com descontos e prazos de pagamento prolongados. Segundo Tatiana Luz, sócia do NHM Advogados, esses fornecedores frequentemente têm créditos desprotegidos e, ao longo do tempo, enfrentam alguns dos maiores deságios e extensões de prazo durante recuperações judiciais no varejo. Ela observa que reduções de 50% a 80% e parcelamentos que se estendem de 10 a 20 anos são recorrentes nesse tipo de situação.

Quando se analisa o histórico das recuperações judiciais, marcas como Samsung, Whirlpool, Electrolux e LG se encontram em uma posição complicada nas negociações com a Casas Bahia. Brahim Bitar, sócio do Fonseca Brasil Serrão Advogados, ressalta que esses fornecedores desempenham um papel duplo durante as renegociações: são credores de dívidas passadas, mas também são fundamentais para garantir que os estoques das lojas permaneçam abastecidos e a operação siga funcionando.

Alguns fornecedores podem conseguir condições mais favoráveis para continuar suas vendas à Casas Bahia. Thiago Groppo Nunes, sócio do IW Melcheds, explica que os planos de recuperação frequentemente criam classificações para credores considerados parceiros estratégicos. Aqueles que mantiverem o fornecimento de produtos ou serviços podem ter acesso a termos de pagamento mais vantajosos.

Fondos e investidores não desfrutam das mesmas vantagens operacionais. Esses credores geralmente negociam com base no montante de suas dívidas e na influência que possuem dentro do processo de recuperação judicial.